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Faculdades mentais

Não há loucura maior do que  Querer se encaixar Onde já descobrimos que  Não podemos ficar Sei que talvez, Eu nem estivesse tão louca assim, Na primeira vez que enlouqueci. Era como se meu corpo quisesse falar, Ali, eu não poderia mais ficar Depois, enlouquecer passou ser Algo comum Parte de algo maior: me reinventar Um processo de alguém que não queria partir, mas também não poderia mais aguentar Quanto mais e mais eu estudava,  mais eu conhecia as faculdades mentais E aprendi O que eu não esqueceria jamais De próxima vez, Eu já sei E com letras bem grandes, escreverei: A felicidade não é algo para se implorar Faz parte do contrato sentimental Presente no ato de amar.

Quando a conta fecha

Se hoje, Fiquei em casa,  Trabalhei, estudei, poemei Isso conta. Ainda que ninguém tenha visto, Ainda que fora dos padrões estabalecidos, Ainda que falte um ou outro sentido, Conta sim. Ainda que só para mim.

Dalí

Dos livros, as agendas Nada mais me contempla Meus pensamentos derretem, Como uma pintura surrelista A todo tempo, penso em algo novo Clico em salvar, deixo para depois Um depois que não vem, fica nas entrelinhas E assim, as horas escorrem Enquanto tento conté-las,  Segurar com as mãos; até perceber Que quando o relógio para, E não dá mais para retroceder.

Tempo

O trabalho é o brinquedo  De uma criança  Que por falta de sorte ou astúscia, Cresceu. Em um parque, vê de longe Aquele sonho divertido Que um dia foi seu.

Unfollow

É tudo muito interessante, não há como negar Tudo isso só foi feito para te conquistar Pouco a pouco vai entrando no seu dia a dia E no seu jeito de pensar Se tudo isso é um jogo, só perdemos tempo, Quando é que vamos ganhar? Eu te sigo mais Não consigo te acompanhar Eu te tenho mais Quero me desconectar Não me leve a mal É já não me faz bem passar tanto tempo assim Só olhando alguém

Correndo para salvar o mundo

Enquanto o sol incendeia o asfalto, há quem queime por dentro.  Faz calor em Madrid, e também dentro de mim A cidade onde o tudo é imediato Imediatamente, vê as pessoas se afastarem das ruas,  Contra gosto; é agosto Os algoritmos têm sede de atenção Assim como os dias de verão Faça, faça e faça mais. É uma corrida.  Você se vê cansado ou desprotegido. Com razão. É agosto, o ar é pesado, Mas você tenta respirar, a qualquer custo Quantos de nós gostariamos de ter chegado mais rápido, ou ao mesmo, a tempo Estamos amarrados ao desejo pelo lucro, acima de tudo.  O lucro no topo do mundo Temos liberdade mometária, Enquanto fazemos malabarismo com nossos desejos intrinsicos, E quando um deles nos trai, Agosto os retrai Assim, garantimos que quem está no topo, Continue em posições confortáveis,  No ar condicionado Durante agosto Aos que são dotados de sensibilidade, Como navegar em um mundo de carne e osso,  Quando passamos tanto tempo nas nuvens?  Durante ago...

Os contos que eu não te contei - Cobrança

A conta chegou. Maria ficou apavorada ao abri-la. Foram horas e horas perdidas, rolando o feed. Horas que ela poderia ter dedicado aos seus afazeres, que naquele mês, ela realizou com pouca ou quase nenhuma atenção. Acordava de manhã e logo corria para ver como estava a vida de fulano. O que aconteceu com aquela menina popular da época de colégio? E aquela que os pais investiram na educação por terem mais recursos financeiros? Aquela garota que tinha respostas para tudo, onde estava agora?  A sua lista era extensa. Tinha também aqueles que criticavam o seu cabelo, seus dentes, e a sua aparência de forma geral. Até hoje, Maria busca nos cosméticos inovadores modos de corrigir esses comentários do passado. Seria bom se as comparações fossem um problema da pós ou hipermodernidade, que surgiu graças a internet e a autoexposição, mas a verdade é que criamos o hábito se nos compararmos aos outros muito antes disso. Muito antes das redes sociais, já fazíamos isso, e se não o fizemos, tinh...

Os contos que não te contei - Um encontro com a noite

Catarina vestia-se de preto, como a noite, e saía. Era sempre o mesmo lugar. Como uma boa amante da noite, era só depois do entardecer, que ela se permitia ser. Sentava-se em uma das mesas e esperava por sua música preferida:  "Say goodbye on a night like this/ If it's the last thing we ever do/ You never looked as lost as this/ Sometimes it doesn't even look like you” (Dizer adeus numa noite como esta/ Se for a última coisa que fizermos/ Você nunca pareceu tão perdido como agora/ Às vezes nem o reconheço).  Havia algo emblemático nessa música, que conduzia sua memória aos momentos em que ela, sozinha, desfrutava da própria companhia.  Era quase como se ela pudesse sentir e tocar a noite. Um toque especial, suave e acolhedor. Um ombro amigo. Ela não tinha medo do escuro; pelo contrário. Nos espaços vazios onde a luz não alcançava, sentia que podia mergulhar.  Havia o desejo. Afinal, a noite é sedutora. Sagaz. Elegante. O seu perfume é doce, feito uma flor. Gosta de d...

Check ☑️

Às vezes, parece que tudo já foi feito  E não há espaço para criar Por outro lado, há muitos sonhos Que ainda quero realizar Aos que já realizei, peço licença Para que os mais novos possam passar Risco, dou check, encerro o ciclo, Ou como você preferir chamar. Assim como  nos relacionamentos,  e nas amizades,  A modernidade é assim: Passa um sonho, vem outro,  Com a promessa de nos completar. Em meio a tudo isso, pergunto-me,  “Ainda vale a pena sonhar? Ou se é só mais um modo de nos limitar?” Os tempos já foram melhores, E a inflação, menor Há quem ainda saiba como sonhar Ainda queria viajar Ainda tenha anseio de criar Ainda? Mas, ainda não dá. Então, bota aí na sua lista. Mas tem que dar um “check”  Antes do ano acabar. Créditos: https://www.pinterest.ie/pin/3518505952650342/

Infiltrada - Histórias que nem acredito que vivi (parte 1)

Estava eu rolando o feed das redes sociais (não que eu me orgulhe disso, mas lá estava eu) quando vi o anúncio de um evento de uma marca de tequila. Na hora, eu não entendi ao certo sobre o que seria o evento. Também não sabia o que esperar, mas de uma forma quase espontânea, eu naveguei no site e garanti as minhas entradas. Meu passe para o acaso. Vesti uma roupa qualquer e lá fui eu. Mirei o endereço pelo google maps, e vi que era possível ir caminhando. E assim eu fiz, caminhei até lá, por certa de 20 minutos. Ao chegar, se tratava de um lugar grande e para a minha surpresa, havia uma festa. Logo na entrada, recebi um voucher com a possibilidades de várias consumações, tudo gratuito. Nesse dia, não eu levei ninguém comigo, e também não conhecia ninguém. Então, mandei uma mensagem para a blogueira que inicialmente publicou o tal evento. Nos encontramos. Ela saiu da area VIP para me dar um "Oizinho". Depois voltou para a área VIP. Antes disso, conversamos um pouco e eu a per...

Mudanças

Era um dia comum, como de costume, chovia na Irlanda. Naquele dia, eu estava de mudança. Já era a terceira vez que eu iria me mudar, em um espaço muito curto de tempo. Foram muitas mudanças de casas e apartamentos compartilhados durante o tempo que eu vivi em Dublin. Hoje, olhando para trás, as lembranças se confundem, em ao invés de uma linha cronológica, formam uma espécie de traços e rabiscos, que me custam tempo para entender. As mudanças de endereços são comuns para as pessoas que vivem Dublin. A Irlanda, há anos, vive uma crise imobiliária terrível e cruel para todos. Na Irlanda, há muita coisa que é acessível: roupa, comida, passeios, viagens... mas, muitas vezes, tudo que você mais quer é uma casinha confortável para chamar de sua, ainda que ela seja de fato emprestada, ou seja, alugada. Para além de mudar de apartamentos em Dublin, também mudei o meu jeito de ser. Lá, tive a oportunidade de descobrir, pela primeira vez, como é viver sozinha. Spoiler: não é fácil, mas tem s...

Quanto tempo faz?

Faz MUITO tempo que eu não escrevo nesse blog e a verdade é que eu estava morrendo de saudades. Antes de prosseguir com os motivos que nos mantiveram fora do blog, vamos fazer uma pausa de voltar no tempo, porque bem, pode até ser que a realidade não nos permita viajar no tempo, mas a leitura, sim. O ano era 2008 . Eu me lembro de estar sentada na cadeira do meu quarto, rodeada por CDs rock e com a cabeça bem atordoada pelos problemas de uma adolescente que não se encaixava. Descobri o blog, e me pareceu uma ideia ótima centralizar os meus pensamentos soltos ou espalhados em cadernos diferentes, em um único lugar. O tempo passou, e com ele muitas mudanças vieram. Ainda que o blogger em sua totalidade não tenha acabado, a verdade é que outros formatos de redes sociais ganharam espaço e popularidade. Assim, posso dizer que esse foi o primeiro motivo que me levou a parar de criar o blog: a sensação de que ninguém iria ler, ou chegar até ele (se você está lendo, esse é o seu momento d...

Horário comercial

Há pouco mais de uma semana em São Paulo, o que eu mais ouço são reclamações sobre o transporte público. Não culpo quem as faz, entendo. É realmente desgastante e imprevisível. Ser imprevisível pode ser uma qualidade também, concordo, mas não nesse caso. Do transporte, tudo que espera-se é previsibilidade, pois nada é melhor do que chegar ao seu destino e sentir-se bem-disposto. O contrário do que os moradores de São Paulo experimentam todos os dias. Lá fui eu para mais uma jornada. Sai de casa por volta das 2 pm e devo dizer: existe uma realidade alternativa que mora no horário comercial. Ele já leva esse nome para garantir a sua associação ao horário de trabalho. O que mais se pode fazer durante o horário comercial?  Pois eu te conto: Sair sozinha, passear em um museu, desfrutar de um café, ir a um parque, caminhar, tirar fotos, conversar com trabalhadores que estão entediados, correr da chuva que costuma cair a tarde, parar em uma cafeteria desconhecida, ouvir a conversa das out...

Se passaram muitas estações desde que...

Utilizei o trem e o metrô em São Paulo outra vez. Muitas coisas têm acontecido desde então. Logo que cheguei, recebi a notícia sobre a greve nas estações. Um jeito paulista de me dar as boas-vindas? Talvez. Ainda sim, decidi sair de casa naquele mesmo dia e enfrentar o sol quente. Peguei o trem sentido Grajaú. Tenho medo de sair de casa com o meu Kindle, confesso. Está longe de ser um "objetivo de valor" para os outros, porém para mim é. Antes de vir ao Brasil, as pessoas te dizem muitas coisas sobre a violência. Há alerta por todos os lados e eu não quis arriscá-lo. Então recorri a um livro físico, da querida Martha Medeiros, se chama "Um lugar na janela", e muito antes do TikTok e dos vídeos curtos, escrevia crônicas sobre suas viagens pelo mundo. Sem ver os acontecimentos relatados por ela, é preciso imaginar. Ao chegar em Pinheiros, olhei pela janela e imediatamente pude sentir a nostalgia, misturada aos odores do Rio Tietê. Dessa vez, havia árvores em volta do ...

Uma brasileira, que veio de marte

Feijoada, samba e futebol. Ouço isso de muitos gringos que converso quando digo que sou brasileira. A começar pela feijoada, poucas vezes comi esse prato. O que mais gosto é o vinagrete, só que prefiro com pastel de feira. Sobre o samba, sei pouco, mas reconheço sua importância. O samba tem sua beleza e também poesia. O futebol é algo que não entra na minha lista de interesses, nunca vi uma sequer uma "partida" completa. A única lembrança que tenho é da Copa de Mundo (talvez) de 2005, quando eu ainda era criança. Lembro que torci pela seleção. A música da época era do Skank, e dizia "quem não sonhou em ser um jogador de futebol". Eu nunca, mas quando tocava essa música, quem não cogitava a possibilidade? Enquanto isso, me lembro de comer pipoca e beber guaraná. Ao longo desse tempo, sinto que desapontei muita gente por não saber muito bem sobre pratos típicos como a feijoada, por estar longe, muito longe, de saber dançar, por não lembrar quantas vezes a seleção ganh...

Tic-Tac

Quanto tempo Esse tempo Vai durar em mim Quanto tempo Eu preciso Para entender Se é um recomeço Ou um fim Quando tempo Quanto erros Cabem em um segundo Ou em um estopim? Quanto tempo Eu levo Para perceber  Que dar tempo ao tempo Nem é tão ruim Assim

Pegue o seu café, e vamos retomar

... só não sei se vamos fazer isso de onde paramos. Aconteceram tantas, mas me parece simples demais dizer que a culpa é da correria. Escrevi em cadernos, blogs, posts, bloco de notas e muito mais. Escrevi pelos avessos. Em alguns textos, refleti sobre o caos, sem me dar conta do como era caótico todo aquele processo de escrever sem lugar fixo.  Há muito tempo vivo em espaços alheios. A verdade é que mais e mais percebo ser preciso ter uma direção e percebo em mim o desejo de querer olhar para trás e ver cada pequena parte da vida estampada em algum lugar, que traga aquela lembrança de volta. Além disso, tenho sido mais ambiciosa: quero sim, criar de modo que possa inspirar pessoas.  Tentarei, aqui, agora, transcrever esse desejo: quero inspirar pessoas a saírem de casa para conhecer um novo lugar, a realizarem um curso novo e aprenderem uma nova habilidade, a aprenderem um novo idioma, a experimentarem uma comida diferente e por vai. Há algo dentro de mim que diz que isso é p...

Carta para meu jovem (e imigrante) eu

Inspirada por um livro que estou lendo, decidi fazer a minha versão do que seria uma "Carta para meu jovem (e imigrante) eu": - Não compre sapatos da Primark. À primeira vista, eles parecem ótimos, mas não duram mais do que alguns dias e você vai se arrepender de ter gasto 6 euros. - Não acredite em tudo que a agência de intercâmbio diz. Eles dirão que você pode ficar com a coberta da companhia área, mas você terá que explicar isso depois. Em inglês. Nesse momento, você ainda não sabe falar em inglês. Esse é só um dos exemplos do porque não acreditar. - O verão de 2018 em Dublin será uma das melhores lembranças da sua vida. Por mais que tudo pareça fora do lugar, aproveite. - Antes de ir embora do Aur Pair, abrace com muita força as quatro crianças que fizeram parte da sua primeira aventura fora do país. Você lembrará delas no futuro. - Viaje.Você vai adorar!  - Não tente dar conta de tudo. Às vezes, é melhor descansar e planejar do que tentar fazer mil coisas ao mesmo tempo....

Amizade entre namorados

Estou assistindo a uma série da Netflix chamada The Bold Type , que conta a história de três amigas que trabalham em uma grande revista em New York. Apesar dos cliches da série, há momentos de ternura relatados na amizade entre as três personagens principais.  Elas aparecem fazendo exatamente tudo juntas: contando cada evento de suas vidas uma para outra no closet, gritando de mãos dadas na estação de trem, se apoiando em momentos difíceis, dando conselhos, indo a lugares que não necessariamente querem ir só para fazer companhia. Ok, talvez eu tenha tido amigas assim, das quais fui tão próxima quanto poderia, na infância e no começo da adolescência. Depois disso, claro, conheci muitas pessoas e desenvolvi relacionamentos verdadeiros de amizade com algumas delas, mas que duraram por um certo período, já que depois cada um teve que ir para um lado da vida realizar seus próprios objetivos, ou talvez, eu tive que ir realizar os meus. O ponto é que enxergo esse tipo de amizade muitas ve...

Comer, se perder e amar

Esse texto não leva o título óbvio de "Mulheres que amam viajar", mas deveria ser lido por nós, que amamos viajar, assim como o livro "Comer, rezar e amar". Ele conta a história de uma mulher que após passar por um divórcio, decide partir para um ano de descobertas viajando pela Itália, Índia e Indonésia.  É muito curioso como em tantos momentos me identifiquei com a protagonista, Liz. Para começar, quando ela conta que não é uma boa viajante. Quem vê de fora, acha que todos que viajam ou gostam de viajar têm um talento nato para isso. Não é o caso dela, nem o meu. Sou incrivelmente desajeitada, não sou boa em encontrar o hotel, nem com direções de forma geral, não me dou nem na hora de fazer a mala, pois sempre levo coisas demais - ou de menos.  Quando vejo os outros planejando uma viagem - principalmente em posts da internet ou vídeos do YouTube - quase entro em desespero. Muitos aprenderam com esses vídeos a se planejarem tão bem, que chegam a viver a experiência...