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Blogueira de outros carnavais

Osasco, 2018: Escola, recusa às aulas de educação física, escapatórias para o bar da esquina. Shows de bandas de garagens. Blog ~secreto: conteúdo privado. Blog de lamentações.

São Paulo, 2011: Início da faculdade, novos amigos, diversidade, trabalhos em grupo e perrengues, descobertas, jornalismo impresso, passeios em São Paulo. Blog de cultura.

São Paulo, 2017: Emprego no centro, mais de 2 horas diárias no transporte público, poupança. Passeios econômicos aos fins de semana. Vontade de abandonar tudo e ir viver no mato. Anseio por liberdade. Blog de poesia

Dubin, 2018: Correria, vida na Europa, surpresas boas e outras nem tanto, viagens de avião, países diferentes, novas culturas, os mais variados trabalhos possíveis, inclusive mais de um trabalho. Aulas de inglês. Blog de intercâmbio.

Madrid, 2020: Sensação de ter vivido várias vidas em uma só. Pandemia. Quarentena. Casa, decoração e crafts. Plantas. Uma certa calmaria e vestígios de maturidade. Blog de crônicas.

Sem lamúrias da adolescência. Sem necessidade de rimar. Sem a angústia de ter que participar de todos os eventos da cidade, mas ainda sim indo a eles. Sem a ansiedade do fim do intercâmbio. Apenas com a leveza do dia a dia, ou talvez com um pouquinho de tudo isso misturado. 



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Check ☑️

Às vezes, parece que tudo já foi feito  E não há espaço para criar Por outro lado, há muitos sonhos Que ainda quero realizar Aos que já realizei, peço licença Para que os mais novos possam passar Risco, dou check, encerro o ciclo, Ou como você preferir chamar. Assim como  nos relacionamentos,  e nas amizades,  A modernidade é assim: Passa um sonho, vem outro,  Com a promessa de nos completar. Em meio a tudo isso, pergunto-me,  “Ainda vale a pena sonhar? Ou se é só mais um modo de nos limitar?” Os tempos já foram melhores, E a inflação, menor Há quem ainda saiba como sonhar Ainda queria viajar Ainda tenha anseio de criar Ainda? Mas, ainda não dá. Então, bota aí na sua lista. Mas tem que dar um “check”  Antes do ano acabar. Créditos: https://www.pinterest.ie/pin/3518505952650342/

Filho único

Quando todos gostam da mesma coisa, desconfie. Sério. É preciso certa maturidade para entender que a opinião da maioria não significa que algo é realmente bom.  Acontece quando dizem que ser filho único é a melhor coisa do mundo. Sou filha única e ouviu coisas como: É mimada. Não sabe ouvir não. Não sabe dividir. É mandona. Eu cresci acreditando isso, ainda que a realidade fosse diferente. As crianças com irmãos mais velhos sempre tinham com quem brincar. Aprontavam juntos e mais tarde lembravam disso sorrindo. Ao crescerem, tinham alguém para conversar, que já tinha passado por situações parecidas.  Acima de tudo, o que via, é que para muitos o irmão mais velho era uma inspiração, ainda que com imperfeições. E a minha inspiração, cadê? Tive que caçar. Na internet, na música, nos livros, nas conversas, nos lugares, nos museus, nas pessoas que estão ou passaram pela minha vida. Na verdade, ainda estou caçando. Filho único aprende a ser sozinho. A brincar com os próprios ...

Pegue o seu café, e vamos retomar

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