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Simples assim

Madrid tem me ensinado muito a cada dia. São coisas simples, mas sejamos honestos: o que é verdadeiramente simples nos dias de hoje? Rola aquela insegurança ao sair de casa, um ritual que inclui máscara, luvas e álcool em gel. Insegurança ao entrar no metrô, ao tocar a superfície. Nos cumprimentos entre os amigos, agora, só utiliza-se os cotovelos (dessa parte eu confesso que gostei, nunca fui fã de beijinhos). Novo normal. Como ainda sim ver a beleza das coisas simples? 

Ir com mais calma. Apreciar o pão de manhã com azeite, tomate e sal a gosto. Dizer "Não" àquele docinho, porque já comeu muitos. Dias em que à luz do sol permanece até as 22h, e você já dormiu e acordou pelo menos duas vezes. Ir quase todos os dias no parque. Dá para ir a pé, quer mais simplicidade do que isso?


Cercada pela a falta de regalias, entendi que há certas metas que eu nem sei se um dia quis realizar, mas repetia e cobrava a mim mesma. Ter um trabalho importantíssimo que mude o mundo todos os dias. Ter mais de um trabalho. Viver intensamente o presente, mas já sabendo todas as alternativas do futuro em mãos. Avaliar como alguém poderia mudar a própria vida e, ainda que não pergunte nada a você, enviar um plano ação detalhado em anexo por email. Afinal, não basta eu querer viver intensamente 24h por dia. Todos também precisam fazer o mesmo, porque não?

Culpava a falta de tempo. Agora, com mais tempo, tenho aprendido a dizer "Adeus" a algumas coisas e abraçado hobbies mais serenos. Simples assim. 



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