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Carta aberta ao mar



Mar, meu velho amigo, sinto falta de visitá-lo. Sei que está indo bem sem mim e as outras pessoas por perto, talvez até melhor.

Sabe, eu saí de Dublin em dezembro e fui para Madrid. De lá para Ibiza, onde nos encontramos. Você estava ótimo, azul, esverdeado e cristalino. Um pouco frio, porém bem mais calmo do que aquela vez no Rio de Janeiro.

De lá para Valência. De lá para Madrid. De lá para o Brasil, onde nos encontramos novamente, espero que lembre. De lá para Madrid, de novo. Daqui para a quarentena.

Depois de passar por tantos Airbnb, um serviço que com certeza precisa ser revisto, é bom ter um teto fixo. Tive tempo para o DIY (faça você mesmo), reflexões, livros, séries, escrever, reescrever, revisões em muitos aspectos, cuidar de plantas, cozinhar e testar novos itens do supermercado.

Aproveitei também para repensar minha relação com o celular. É ótimo tê-lo por perto principalmente em tempos de pandemia. No entanto, cada vez mais perdemos a habilidade de concentração, é o que dizem as pesquisas. Chega a ser impossível ler três páginas de um livro sem pensar nas notificações e atualizações. Com isso, muita gente está deixando de fazer novos amigos, afinal, dá trabalho.

Ouvi dizer que a partir de agora só vou poder te visitar com hora marcada, será? Mar, mande notícias. Espero que em breve eu possa te ver, com ou sem hora marcada. 



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